“ Eu sou o homem que com a máxima ousadia descobriu o que já fora descoberto antes”.
G. K. Chesterton
Reparando bem, nós (seres humanos) temos a tendência de imortalizar os maus exemplos. Muito mais fácil lembramo-nos de
líderes corruptos, sanguinários, xenófobos e autoritários, do que de outras personalidades reconhecidamente marcadas
pela generosidade e a integridade. Talvez seja porque queiramos que os mais jovens conheçam os prejuízos que gente deformada é
capaz de causar quando está no poder. Mas, talvez esta tendência de manter viva a memória dos piores, seja porque a gentileza,
a doçura e a honestidade, não atraiam a atenção ou o interesse dessa geração. Se for isso, então
fomos tomados por uma esquizofrenia social pandêmica; em linguagem popular, estamos todos doentes da cabeça e do coração.
Seria bom que a Igreja destoasse do mundo em geral, mas, infelizmente, ela segue a tendência de imortalizar os piores, com raríssimas
exceções. Convencida de que sucesso pode ser medido por alto desempenho, ela vai sepultando os bons exemplos em urnas baratas e
cerimônias vazias, enquanto abusa do direito de relativizar dizendo: fulano é desonesto, mas sua igreja está cheia...; ele
é mentiroso, mas o poder de Deus opera...; fulano não lida bem com dinheiro, mas...
Querer construir um estilo de liderança baseado em bom exemplo, num ambiente que respira hostilidade contra o que se supõe ser uma
fraqueza, não é só sinal de coragem, mas de espiritualidade amadurecida.
Nesse espaço, queremos encorajar líderes cristãos (leigos e clérigos) a construírem sua história
entre o rebanho de Deus, livres da “necessidade” de importarem modelos empresariais de liderança, imaginando que seja a
última boa idéia para se ter um ministério próspero. Queremos propor a aposentadoria dos mapas e gráficos;
no lugar deles, incentivar o despertamento pelo indivíduo, pela convivência, pela conversa solta e pelo olhar atento, na
esperança de que possamos amortizar o débito relacional com os que sustentam o que chamamos de
ministério.
Nesse espaço vamos incentivar o tempo com Deus e a construção de um estilo de liderança sacerdotal, aquele que é
marcado por rotinas espirituais, integridade de caráter e humanidade. Mas, se você se sentir à vontade com os termos:
gerenciamento, gráfico de crescimento, produtividade e outros de conteúdo semelhante, então a leitura desses artigos será
uma chatice, um verdadeiro sacrifício. Mas, se desejar enfrentar a miopia popular e partir para a construção de um estilo
ministerial menos impessoal, então mergulhe fundo e descubra quanta riqueza guarda o silêncio e o anonimato.
Se liderar é influenciar, então decida gastar a vida influenciando com a própria vida.
Com amor!
Pastor Weber