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RESTA UMA ESPERANÇA
RESTA UMA ESPERANÇA

Nós brasileiros não nos chocamos mais com escândalos políticos ou com o montante de impostos recolhidos pelo governo - sem qualquer compromisso com o bem estar social da população - que este ano superará a casa de 1 (um) trilhão de reais.

Adicione a esta informação o fato de sermos uma nação de transgressores. Nossa tendência a ignorar todo e qualquer padrão ético de conduta, vai desde a venda de sentenças nas esferas estaduais da justiça até a propina paga por motoristas inescrupulosos, que fazem questão de burlar as leis de segurança no trânsito, a policiais viciados em pedir dinheiro pelas esquinas das ruas. Há muito tempo já nos perdemos nos labirintos da moral (título de um livro escrito por Sergio Cortela e Yves de La Taille que estou acabando de ler). Não sabemos o que fazer; o que pensar; o que esperar de uma sociedade sem rumo. Enquanto isso, junto com outros países emergentes, somos contados entre os cinco de estrutura mais corruptora na área empresarial em todo mundo. O que se esperar de uma nação de juízes corruptos, presidentes de tribunais corruptos, governadores corruptos, agentes de segurança corruptos que matam a população inocente que deveria ser protegida? O que se esperar de um governo que arrecada uma fortuna incalculável em impostos, e oferece um serviço público miserável em todos os segmentos construtores da dignidade de seus cidadãos?

 

Este enorme desapontamento, misturado à uma sensação de impotência, fortalecida a cada dia pela impunidade, pelo famoso jeitinho brasileiro, pelas mentiras contadas sem qualquer acanhamento pelos congressistas, já seria suficiente para considerar qualquer esboço de reação uma luta injustificável, mas, infelizmente, a lista de razões que motivam os nossos artistas populares a comporem músicas do gênero "Deixa a vida me levar, vida leva eu", cresce a cada dia. Ninguém mais acredita que possamos pegar o retorno em alguma altura da via por onde trafegamos. É o fim da linha! Não há como escaparmos.

 

Esta deformação moral do gênero humano é irreversível. Para quem se interessa em saber, o apóstolo Paulo profetizou a respeito em II Tm 3:1-9. Neste texto, ele acrescenta um novo ítem à sua lista de anomalias morais, a religiosa. Suas impressões proféticas não são animadoras. A principal habilidade humana nesse campo, segundo a profecia, seria a de cultivar uma religiosidade sem compromisso íntimo com Deus (mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe entretanto, o poder.) Aqui está o coração da degradação moral presente na religião: uma fé que enfatiza o prazer mas que torna desnecessários a intimidade e o compromisso com Deus. Isto não é apenas imoral, é amoral. Paulo orienta: Foge também destes.

 

De quem ele nos manda fugir? De quem ele nos manda manter distância? De gente que vive e anuncia uma fé construída sobre o prazer, sem se importar com a honra e a justiça. Gente sem limites, corrompidos de mente e altamente envolvidos com a arte da magia e da sedução dos encantamentos (como Janes e Jambres - os feiticeiros que resistiram a Moisés no Egito). Gente que visa o lucro, que usa a religião como fonte para o seu enriquecimento e vida nababesca. Estes, tornam a nossa orfandade moral ainda mais crítica, mostrando que a religião não é o porto seguro que parece ser. O que fazer então? Para quem ou para onde iremos?

 

O apóstolo Pedro, sob as tensões dos mesmos questionamentos, nos apontou o caminho: Cristo. Naqueles dias talvez, Cristo, tivera sido uma resposta suficiente, sem necessitar de outras explicações. Hoje, porém, depois deste nome ter sido usado para fundamentar tantas guerras e horrendas barbáries; depois de constatarmos o desprezo ao seu conteúdo histórico; depois de vermos o mistério da sua encarnação encoberto pelas decorações luxuosas dos grandes shoppings ceters, das enormes árvores enfeitadas e da figura desgastada do papai noel; depois de tudo isto, a resposta precisa ser acompanhada de algumas considerações. Todavia, Pedro, movido pelo Espírito Santo, nos deu uma pista para sobrevivermos à esta sensação de orfandade aguda. Cristo, a vida, o caminho, a verdade, é a nossa esperança.




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